Ernesto Bozzano

(1862 - 1943)

Ernesto Bozzano nasceu em Gênova (Itália) em 1862 e desencarnou em julho de 1943. Pesquisador notável, deixou incalculável contribuição ao Espiritismo, quer em qualidade, quer em riquezas de casos e depoimentos. Influenciado pelo sistema positivista através da linha spenceriana, como ele próprio declara, nunca teve qualquer indício de misticismo, mas, pelo contrário, sempre foi um homem voltado para as soluções objetivas, infenso à cogitação metafísica, como se dizia muito em sua época.

Vejamos a franqueza com que Bozzano fala do seu próprio passado filosófico: "uma vocação predominante me havia conduzido a ocupar-me, exclusiva e apaixonadamente, da filosofia científica e Herbert Spencer era, naquele tempo, o meu ídolo. Durante dois anos, eu estudara, ininterruptamente, anotara, classificara com imenso amor todo o conteúdo do seu imponente e enciclopédico sistema filosófico para, em seguida, lançar-me de corpo e alma nas lutas do pensamento, empenhando-me em polêmicas com quem ousasse criticar os argumentos e as hipóteses que o meu venerado mestre formulara". (Essa declaração encontra-se no capítulo I de uma de suas maiores obras, ANIMISMO OU ESPIRITISMO?).

Mais tarde, por estudo e observações diretas, chegou a convicção espírita e definiu a sua nova posição em diversos trabalhos. Uma de suas motivações para o estudo da fenomenologia chamada paranormal foi a leitura dos ANAIS DE CIÊNCIAS PSÍQUICAS, publicação dirigida por Clarieux, mas orientada pelo professor Charles Richet, autor do TRATADO DE METAPSÍQUICA. Houve ainda outra motivação, aliás bem significativa: o debate de Richet com Rosembach pela "Revista Filosófica". Os argumentos que Richet contrapunha ao opositor impressionaram muito o ânimo de Bozzano, justamente pela sua consistência científica, enquanto as objeções de Rosembach lhe pareceram logo insustentáveis pela falta de solidez. Daí para adiante, Bozzano e Richet trocaram correspondência muito franca e afetuosa.

Uma das cartas de Richet a Bozano, naturalmente depois de muitas observações e reflexões, termina assim: "E agora, abro-me a você, de modo absolutamente confidencial. O que você supunha é verdade. Aquilo que não alcançaram Myers, Hodgson, Hyslop, e Sir Oliver Lodge, obteve-o você por meio de magistrais monografias, que sempre li com religiosa atenção. Elas contrastam, estranhamente, com as teorias obscuras que atravancam a nossa ciência".

Bozzano estudou e pesquisou muito. Leu com afinco

tudo quanto lhe era possível sobre ciências psíquicas e, especificamente, sobre Espiritismo, mas não reduziu o seu campo de trabalho aos estudos de gabinete, pois era um homem afeito à observação e à investigação. Corajoso em suas afirmações, proclamou a validade das teses espíritas sem temer os preconceitos acadêmicos e as ojerizas religiosas.

Além de artigos em diversas revistas especializadas, Ernesto Bozzano publicou muitos livros, entre os quais XENOGLOSSIA, ENIGMAS DA PSICOMETRIA, PENSAMENTO E VONTADE, FENÔMENOS PSÍQUICOS NO MOMENTO DA MORTE, FENÔMENOS DE TRANSPORTE, METAPSÍQUICA HUMANA, LITERATURA ALÉM TÚMULO, ANIMISMO E ESPIRITISMO, COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS ENTRE OS VIVOS, DESDOBRAMENTO (FENÔMENOS DE BILOCAÇÃO). Publicou também monografias como: BREVE HISTÓRIA DOS "RAPS", MATERIALIZAÇÕES MEDIÚNICAS, MARCAS E IMPRESSÕES DE MÃOS DE FOGO.

Assim foi Bozzano, um dos maiores desbravadores do chamado invisível, que após ele, já não seria tão invisível assim.

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