Elizabeth D'Esperance

(1849 - 1918)

Madame d'Esperance, cujo verdadeiro nome era Mrs. Hope, foi uma das maiores médiuns da história do Espiritismo. Sua carreira se estendeu por mais de 30 anos consecutivos numa atividade que alcançou vários países, onde sábios e pesquisadores admiravam-se com a sua potencialidade e versatilidade. Apareceu em público graças a T. P. Barkas, cidadão muito conhecido em New Castle. A médium era então uma mocinha de educação da classe média. Entretanto, quando em semitranse, demonstrava em grau notável o dom da sabedoria e conhecimento que Paulo de Tarso coloca no topo de sua categoria espiritual.

Barkas descreve como preparava extensas listas de perguntas que cobriam quase todos os setores da ciência e como as respostas eram escritas rapidamente pela médium, geralmente em inglês, mas por vezes em alemão ou mesmo em latim. Resumindo essas sessões, diz Mr. Barkas, "deve ser geralmente admitido que ninguém pode, por esforço normal, responder com detalhes a perguntas em muitos setores obscuros da ciência com que não se é familiarizado. Além disso, deve admitir-se que ninguém pode ver normalmente e desenhar com minuciosa precisão em completa obscuridade; que ninguém pode por meios normais da visão ler o conteúdo de uma carta fechada no escuro; que ninguém que ignore a língua alemã possa escrever com rapidez e exatidão largas comunicações em alemão. Entretanto, todos esses fenômenos foram verificados com essa médium e são tão verdadeiros quanto as ocorrências normais da vida diária".

A fama de Madame d'Esperance como médium firmou-se na variedade e excelência dos seus muitos dons espirituais, como se verifica na leitura de sua autobiografia, a obra intitulada "Shadow Land", onde não é possível uma apreciação sem impressionar-se com os bons sentimentos e a honestidade da escritora e médium. Como outros sensitivos o fizeram, ela narra como em sua infância brincava com espíritos de crianças que lhe eram tão reais quanto as vivas. Essa força de clarividência permaneceu em toda a sua vida, mas o dom mais raro de materialização lhe foi adicionado.

citado livro contém fotografias de Yolanda, uma bela moça árabe, que era para essa médium o que Kate King foi para Florence Cook. Não era raro que se materializasse quando Madame d'Esperance estava sentada fora da cabine, sendo vista inteiramente pelos assistentes. Assim a médium podia ver a sua própria emanação estranha, tão íntima e, contudo, tão distinta. Descrevendo as suas impressões durante uma sessão, Madame d'Esperance fala da sensação de uma espécie de teia de aranha que estivesse em torno de seu rosto e de suas mãos. Quando uma fraca luz penetrou por entre as cortinas da cabine, ela viu uma massa vaporosa esbranquiçada, flutuando ao seu redor, como o vapor de uma caldeira e, além disso, evoluindo para uma forma humana. Uma sensação de vazio começou, assim que aquilo que ela chamou de teia de aranha se apresentou. Então perdeu o controle de seus membros.

Alexandre Aksakof, conhecido pesquisador do psiquismo e redator do Psychische Studien, descreveu em seu livro "Um caso de desmaterialização parcial", uma sessão extraordinária, no qual o corpo dessa médium dissolveu-se parcialmente. Comentando o fato, observa ele: "O fato freqüentemente notado, da semelhança da forma materializada com a médium, tem aqui a sua explicação natural. Como a forma é apenas um duplo da médium, é natural que lhe tenha todos os aspectos". Mr. William Oxley, compilador e editor de um notável trabalho em 5 volumes, intitulado "Angelic Revelations", descreveu 27 rosas produzidas numa sessão por Yolanda, a figura materializada, e a materialização de uma planta rara em flor. Diz Mr. Oxley: "Eu tinha fotografado a planta na manhã seguinte, depois trouxe para casa e a coloquei na minha estufa, aos cuidados do jardineiro. Ela viveu 3 meses, depois murchou. Tomei as folhas, muitas das quais abandonei, exceto a flor e três brotos que o jardineiro cortou quando cuidava da planta.

Em sessão a 28 de julho de 1890, na presença de Aksakof e do professor Butlerof de São Petersburgo, um lírio dourado, de cerca de 7 pés de altura, foi materializado. Foi conservado durante uma semana, durante a qual foram tiradas 6 fotografias, e depois dissolveu-se, desaparecendo. Uma dessas fotografias aparece em "Shadow Land". Uma forma feminina, um pouco mais alta que a médium, e conhecida pelo nome de Y-Ay-Ali, provocava a maior admiração. Diz Mr. Oxley: "Vi muitas formas de espíritos materializados; mas a perfeição de simetria no rosto e a beleza de atitude jamais igualava a deste. Como estava exposta à luz, eu via perfeitamente a sua face e as mãos. O rosto era belo e as mãos macias, quentes e perfeitamente naturais, e, a não ser pelo que se seguiu, eu teria pensado estar segurando a mão de uma senhora permanentemente encarnada, perfeitamente natural, ainda que esquisitamente bela e di fana". Prossegue descrevendo como ela se afastou 2 pés da médium, na cabine, e, vista de todos, "desmaterializou-se gradativamente, fundindo-se de baixo para cima, até que só a cabeça fosse vista no soalho; então esta diminuiu até que ficou um ponto branco, que desapareceu depois de alguns momentos". Na mesma sessão desse dia materializou-se uma forma de criança que pôs 3 dedos de sua mãozinha na de Mr. Oxley.

Mr. Oxley registra um fato muito interessante e de grande valor probante. Quando Yolanda, a moça rabe, estava falando com uma senhora na assistência, "a parte superior de seu vestido caiu e mostrou as suas formas. Verifiquei que as formas eram imperfeitas, pois o busto não era desenvolvido e o peito não era acentuado, o que constitui uma prova de que a forma não era uma figura preparada. Devemos salientar que, no caso das experiências de M. Oxley com Madame d'Esperance, foram feitos moldes de mãos e de pés de figuras materializadas, com punhos e tornozelos, cujas aberturas eram demasiado estreitas para permitir a saída dos membros, salvo por desmaterialização.

Madame d'Esperance era, antes de tudo, uma pesquisadora da verdade. Na introdução escrita para o livro "Shadow Land", Aksakof rende um alto tributo a ela como mulher e como médium. Diz que tanto quanto ele, ela se achava interessada em achar a verdade, submetendo-se de boa vontade a todos os testes que lhe impusesse. A última parte da vida de Madame d'Esperance, passada principalmente na Escandinávia, foi amargurada pela doença adquirida no choque que sofreu no chamado "desmascaramento", quando Yolanda foi agarrada por um pesquisador desavisado em 1893. Ninguém mais do que ela demonstrou mais claramente quanto os sensitivos sofrem a ignorância do mundo que os rodeia. No último capítulo do seu notável livro o assunto é abordado, no que ela conclui: "os que vierem depois de mim talvez venham a sofrer quanto eu tenho sofrido pela ignorância das leis de Deus. Quando o mundo for mais sábio do que no passado, é possível que os que tomarem as tarefas na nova geração não tenham que lutar, como eu lutei contra o fanatismo estreito e os julgamentos duros dos adversários".

D'Esperance foi parte da "invasão organizada" planejada pelos espíritos responsável pela evolução terrena, que implicava em maior ostensividade na ação dos espíritos entre os encarnados e na demonstração de leis e fenômenos que, desafiando a ciência acadêmica, iriam despertar as consciências para o fato mediúnico. Mulher idealista, comprometida com a verdade, deixou valiosas lições de dedicação ao trabalho e ao estudo das leis espirituais, encarnando o antigo pensamento disseminado entre os espíritos superiores, que, para todo aquele que é consciente de sua destinação última que é Deus, é uma glória amar e até mesmo sofrer por amor a um ideal. E o seu ideal era a verdade.

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