Jesus, O Cristo

(Ano 0 - 33)

Para entender a figura radiante do homem Jesus de Nazaré é necessário situar-se em sua época. Nascido em Belém em humilde estrebaria, e passado a infância na carpintaria de José (seu pai) em Nazaré, já aos 13 anos demonstrava espantosa sabedoria, posto que discutia elevadas questões filosóficas com os doutores da lei, habituados a longos discursos e aprofundados estudos. Esse período que vai dos 13 aos 30 anos é desconhecido e motivo de especulação para os estudiosos de sua biografia, que torna-se clara a partir das bodas de Caná, nas quais ele, a pedido de Maria, sua mãe, transforma água em vinho.

Jesus era um homem assediado pelas multidões de famintos espirituais que se maravilhavam com as suas palavras e com os seus "milagres". Nas tardes, ao por do sol, era visto pelas montanhas, desertos e vales a ensinar ao povo a sua boa nova. Era chamado de místico, de profeta, de impostor, de mistificador, de filho de Deus. Entre a multidão que o comprimia estavam os portadores de seqüelas e doenças de todos os matizes. Os cegos o procuravam tateando nas trevas a esperança que Ele lhes restituísse a visão. Os aleijados mostravam os membros ressequidos. Os surdos e os mudos faziam-lhe sinais. Os paralíticos eram colocados às margens das estradas para que Ele os tocasse, pois diziam que dele saía uma virtude que curava a todos. E para todos Jesus tinha uma palavra de conforto, um gesto favorável.

Sendo homem de qualidades excepcionais e de virtudes muitíssimo acima da humanidade terrestre, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Como homem, apresentava a organização dos seres carnais; porém, como espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não deriva das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito dotado de puríssimos fluidos.

Sua alma possivelmente não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa força magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem. Os seus chamados "milagres" pertencem portanto, na maioria à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma. Eventos como "A Pesca Milagrosa" (Lucas, cap. V, v. 1 a 7), "O Beijo de Judas" (Mateus, cap. XXVI, v. 46 a 50), "A Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus" (Mateus, cap. IV, v. 9), e a entrada de Jesus em Jerusalém (Mateus, cap. XXI, v. 1 a 7) são hoje explicadas e entendidas em razão da dupla vista de que Jesus era portador.

As curas tais como "A Perda de Sangue" (Marcos cap. V, v. 25 a 34), "O Cego de Betsaida" (Marcos, cap. VIII, v. 22 a 26), a do "Paralítico" (Mateus, cap. IX, v. 1 a 8) "A Mulher Curvada" (Lucas, cap. XIII, v. 10 a 17) e outras, eram concretizadas pelo magnetismo pessoal de Jesus, que unindo a sua vontade firme à excelência dos seus fluidos, era capaz de promover curas consideradas impossíveis para os homens comuns que o seguiam. Os possessos diante dele livravam-se de seus perseguidores invisíveis ao seu simples comando, visto ser a sua autoridade moral incontestável. Ao caminhar sobre as águas, Jesus poderia estar levitando ou apenas presente através de sua forma tangível, estando alhures o seu corpo carnal. Nas chamadas ressurreições, Ele próprio explica aos presentes que a morte ainda não havia se efetivado. "Esta menina não está morta, está apenas adormecida", disse Jesus ao reanimar a filha de Jairo.

Explicados tais fatos pelo magnetismo e por outras leis naturais antes desconhecidas perguntamos: isso faz a missão de Jesus tornar-se menor? O seu sacrifício, seu sofrimento, sua renúncia e seu amor sofrem ranhuras por considerarmos naturais os seus feitos? A lógica nos diz que não. Jesus foi mestre, o maior deles, o mais completo em virtudes e em sabedoria.

Todavia, o seu maior milagre, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziu no mundo, mau grado a exiguidade dos seus meios de ação, pois que sendo pobre, e nascido em condição humilde em meio a um país pequeno, inculto, obscuro e sem liberdade, provocou uma revolução de tão grandes proporções que não existe habitante terreno que não lhe conheça algum feito.

Convivendo com populações humildes oriundas de um meio sem preponderância política, artística ou literária, passou a história como um marco inesquecível e fato histórico insuperável, que fez brilhar nas consciências dos homens a inextinguível luz do amor, clarificando os espíritos na extensa caminhada da evolução.

Jesus sendo o espírito mais perfeito que já habitou entre nós, tido como guia e modelo para a Humanidade, é considerado como o médium de Deus, aquele que trouxe a luz para afugentar as trevas da ignorância dos homens.

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