Léon Denis

(1846 - 1927)

Dentre os grandes apóstolos do Espiritismo, a figura de Leon Denis merece referência especial, principalmente por ter sido ele o continuador da obra de Allan Kardec. Deve-se a ele a oportunidade feliz que os espíritas tiveram de ver ampliadas novas angulações do aspecto filosófico da Doutrina Espírita, pois as suas obras de um modo geral focalizam numerosos problemas que inquietam os homens, e também a questão da sobrevivência da alma em seu laborioso processo evolutivo.

Denis imortalizou-se na gigantesca tarefa de dissecar problemas atinentes às aflições que acometem os encarnados, fornecendo subsídios para lançar novas luzes sobre a problemática das tribulações terrenas, deixando de lado os conceitos até então prevalecentes, para apresentá-las aureoladas de ensinamentos altamente consoladores, hauridos nas fontes inesgotáveis da Doutrina dos Espíritos.

Ainda bastante jovem, aos 18 anos de idade, Denis foi despertado para as maravilhas contidas no Espiritismo. Era seu hábito olhar com muito interesse para os livros expostos nas livrarias. Um dia, o chamado acaso fez que sua atenção fosse despertada para uma obra de título inusitado, cujo assunto, naturalmente, deveria fazer tremer as almas pouco evoluídas. Esse era "O Livro dos Espíritos". Encontro providencial. Dispondo do dinheiro necessário, adquiriu-o, e, recolhendo-se imediatamente ao lar, entregou-se com emoção à leitura. São suas palavras: "Nele encontrei a solução clara, completa, lógica, acerca do problema universal. Minha convicção tornou-se firme. A teoria espírita dissipou minha indiferença e minhas dúvidas". Passou então ao estudo e a pesquisa aprofundada dessa doutrina com maior persistência na abordagem do seu aspecto filosófico. Neste mister jamais esmoreceu, pois, sendo um homem dotado de notável operosidade, trabalhou até os últimos instantes de sua profícua existência terrena.

A contribuição de Denis estendeu-se na abordagem e estudo de assuntos históricos, fornecendo importantes detalhes sobre as origens celtas da França, bem como do dramático episódio do martírio de Joana D'Arc, a grande médium francesa, além de tecer importantes considerações sobre as origens do Cristianismo e o seu processo evolutivo através dos tempos. Dentre as suas múltiplas ocupações, foi presidente de honra da União Espírita Francesa, membro honorário da Federação Espírita Internacional, presidente do Congresso Espírita Internacional, realizado em Paris no ano de 1925. Teve também oportunidade de dirigir, durante largos anos, um grupo experimental de Espiritismo, na cidade francesa de Tours.

A sua atuação no seio do Espiritismo foi bastante diversa daquela desenvolvida por Allan Kardec. Enquanto o codificador exerceu suas nobilitantes atividades na própria capital francesa, Leon Denis desempenhou a sua tarefa na província. A sua inusitada capacidade intelectual e a perspicácia no trato dos assuntos transcendentais, fizeram com que o movimento espírita francês e mesmo mundial, gravitasse em torno da cidade de Tours. Após o desencarne de Kardec, essa cidade tornou-se o ponto de convergência de todos os que desejavam conhecer o Espiritismo, recebendo as luzes do conhecimento, pois inegavelmente, a plêiade de espíritos que tinha por incumbência o êxito do processo da revelação espírita, levou ao grande apóstolo toda a sustentação necessária a fim de que a nova doutrina se firmasse de forma ampla e irrestrita.

Leon Denis foi um autodidata que se preparou em silêncio, na obscuridade, para surgir subitamente no cenário intelectual e impor-se como conferencista e escritor de renome, tornando-se figura exponencial no campo da divulgação doutrinária do Espiritismo. Sua oratória era encantadora e convincente, mesmo sem nunca ter cursado uma academia oficial, pois seu preparo se fez na escola prática da vida, na qual a dor alheia, o trabalho mal retribuído, as privações heróicas ensinam a verdadeira sabedoria. Sua obra consta de vasta bibliografia na qual destacam-se os seguintes títulos: Depois da Morte, Cristianismo e Espiritismo, No Invisível, O Problema do Ser do Destino e da Dor, Provas Experimentais da Sobrevivência, Joana D'Arc Médium, O Porquê da Vida e O Grande Enigma.

Com idade bastante avançada, cego e com uma constituição física relativamente fraca, vivia ainda cheio de tribulações. Nada disso, entretanto, mudava o seu modo de proceder. Apesar de todas essas condições adversas, a todos ele recebia obsequioso. Desde as primeiras horas da manhã ditava volumosa correspondência, respondendo aos apelos das inúmeras sociedades que fundara ou de que era presidente honorário. Onde quer que comparecesse, ali davam-lhe sempre o lugar de maior destaque.

Leon Denis trabalhava arduamente na compilação do seu novo livro O Gênio Celta e o Mundo Invisível, quando foi acometido de violenta pneumonia que o prostrou. Mesmo enfermo, com a cooperação de duas secretárias afeiçoadas, após estafante e persistente trabalho conseguiu ver revisadas todas as provas, insistindo para que as secretárias continuassem, a fim de terminar a Biografia de Allan Kardec, o que, aliás, não chegou a concretizar, dado o seu lamentável estado de saúde.

No dia 12 de abril de 1927, às 9 horas da manhã, seu espírito iluminado partia para as regiões sublimadas da espiritualidade, após ter-se convertido em verdadeira bandeira para os ideais espíritas e centro de atenções dos espíritos que tomavam parte nos congressos internacionais do Espiritismo e outros certames. Era o fim da jornada terrena. O mundo com ele e através dele ficara mais claro, de mais fácil interpretação e sobretudo, a esperança, o otimismo, a paz já não pareciam tão distantes quanto se fazia crer antes de sua missão.

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