MOISÉS

(Século XIII a.C.)

Há séculos, algumas tribos nômades da Palestina abandonaram o solo semi-árido daquele país e foram ao Egito, fugindo da fome. Mas os egípcios escravizaram-nos. Diz a Bíblia que os submeteram com trabalhos forçados e os oprimiram com obras penosas. A opressão chegou ao auge quando governava o Egito o faraó Ramsés II, da 19ª dinastia, no século XIII antes de Cristo. Por sua ordem, os escravos construíram uma cidade que recebeu seu nome.

Moisés, salvo das águas do Nilo pela filha do faraó e por esta educado em ambiente palaciano, tornou-se o nobre que teve a ousadia de pedir ao faraó liberdade para os hebreus, visando transformar aquela gente rude em um povo coeso e livre. O faraó diante de tal rogativa, recusou libertar os escravos, pois tal mole era constituída de mão-de-obra abundante, qualificada e barata, fonte geradora de riquezas para o país embora obtidas as custas da exaustão e da morte de um povo. Moisés lança então sobre o Egito uma série de pragas que obrigariam o faraó a libertar seu povo.

Mortandade de peixes, enxames de insetos e epidemias eram flagelos que com certa periodicidade atingiam o Egito. Mas a seqüência e a extensão desses fenômenos naturais, habilmente exploradas por Moisés através da sua mediunidade premonitória, puderam ser aproveitadas como intervenção divina em prol dos escravos. E, sob a ameaça de que na última praga morreriam todos os primogênitos egípcios, foi então que o faraó concordou que Moisés os levasse para fora do país.

Para sair do Egito Moisés poderia seguir por várias trilhas em direção a Palestina, não havendo necessidade de uma travessia do Mar Vermelho. Mas, para escapar dos egípcios, que decidiram recapturar os escravos em fuga, Moisés conduziu os hebreus através de um caminho incomum, atravessando o Mar Vermelho, no momento de mar‚ baixa. Quando os egípcios chegaram, a maré alta os deteve. Bem adestrado na arte militar, ele tomou um caminho árido e pedregoso, impraticável para os carros de combate e desestimulante para a cavalaria, contingentes impróprios para o terreno e a técnica de combate imposta por Moisés. A infantaria egípcia já não seria obstáculo, pois encontrava-se distante há muitos dias de marcha.

Junto a escravos de outras origens, sob a liderança de Moisés, os hebreus penetraram no deserto rochoso que cobre a península do Sinai. A esmagadora maioria desses escravos, devido a rudeza da escravidão que retira dos espíritos fracos os anseios nobres, embora mantenha o ideal de liberdade, encontrava-se revoltada, brutalizada e reduzida à satisfação das necessidades primárias. Moisés passou a conviver com o seu povo no deserto, onde o cotidiano era as freqüentes queixas e revoltas, aliado aos rigores climáticos, fatores determinantes da fome e da sede. Nessas circunstâncias, em que o lado animal do homem prepondera, só a dor e o instinto de conservação conseguem domá-lo. Daí a severa legislação mosaica, com apelos freqüentes à pena de morte, como nos seguintes exemplos:

GÊNESIS 17:14 - "O incircunsivo que não for circuncidado, será eliminado."
ÊXODO 21:12 - "Quem ferir alguém que morra, certamente será morto."
21:17 - "Quem amaldiçoar pai ou mãe, será morto."
31:15 - "Quem fizer alguma coisa no sábado, morrer."
LEVÍTICO 3:17 - "Gordura nem sangue, jamais comereis."
7:27 - "Quem comer sangue, será morto."
20:18 - "Quem se chegar a uma mulher no período, ambos serão mortos."
24:19 - "Quem desfigurar o seu próximo, como ele fez assim lhe ser feito."
DEUTERONÔMIO 21:21 - "Um filho desobediente dever ser apedrejado até que morra."
22: 5 - "Mulher vestir traje de homem, ou vice-versa, é abominação ao Senhor."
22:21 "Mulher casada não achada virgem, deve ser apedrejada até morrer."
22:22 "Quem se chegar a mulher casada, ambos morrerão."

Como se observa, foram leis temporárias, elaboradas para determinado povo num período histórico, onde a disciplina deveria suplantar tudo mais. As práticas mediúnicas também foram abolidas dos costumes, pois, na qualidade de extraordinário médium, Moisés sabia dos malefícios que se podia esperar das sintonias mentais daquela gente. Seria necessário que toda uma geração passasse para dar lugar a uma outra, livre e sem os traumas do sofrimento e da revolta, para formar uma unidade racial, política e religiosa, com características próprias e sob a égide de um Deus único.

Por isso, 40 anos vagariam pelo deserto, até que morresse toda a geração escrava, para que só os nascidos em liberdade pudessem entrar na Terra Prometida. Foi nessas circunstâncias que aconteceram fatos que iriam influenciar a humanidade por séculos e que ainda hoje têm profundo significado.

Moisés, que sempre esteve amparado por seus guias espirituais no cumprimento da sua missão, recebeu, no Monte Sinai, os Dez Mandamentos, que mais de mil anos depois haveriam de ser reiterados pelo maior de todos os missionários: Jesus Cristo.

Não fazer nem adorar imagens e ídolos.
Não falar o nome de Deus em vão.
Não trabalhar no sábado.
Honrar pai e mãe.
Não matar.
Não cometer adultério.
Não roubar.
Não prestar falso testemunho contra o próximo.
Não desejar a mulher do próximo.
Não desejar qualquer coisa que pertença ao próximo.

É esta, e somente esta, a lei que Cristo se refere quando disse: "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento". Todavia, outras leis de Moisés aplicadas para regular as relações entre os homens, ainda rudes e primitivos, constituem um grande avanço para a época quando obrigam ao dono libertar seu escravo no sétimo ano de cativeiro, pagando-lhe uma parcela de riqueza que ele, escravo, gerara com seu trabalho. Instituem não apenas o respeito pela vida do próximo mas até o respeito pela liberdade alheia e pela dignidade dos pais. É uma legislação que estabelece o respeito aos bens alheios, que impõe confiança mútua, garante ao acusado justiça e ao perseguido refúgio sagrado.

Toda a vida de Moisés - seus atos, seus feitos, suas leis - é descrita nos quatro livros do Pentateuco: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, cuja autoria lhe é atribuída. Segundo a tradição, ele morreu aos 120 anos. Ainda pôde avistar ao longe, do alto do Monte Nebo, o objetivo do seu sonho, o alvo da sua promessa: a Terra Prometida. A sua missão estava cumprida. Assim foi a vida do grande líder do povo hebreu, do gênio militar e político, do legislador e de um dos maiores médiuns de todos os tempos.

Biografias

                                                                                               E-mail: