William Crookes

(1822 - 1919)

As pesquisas sobre os fenômenos do Espiritismo efetuadas por Sir William Crookes durante os anos de 187O a 1874 constituem um dos mais significativos eventos da história do movimento.

Sir William Crookes era figura proeminente no mundo científico. Eleito Membro da Sociedade Real em 1863, recebeu dessa organização em 1875 a Royal Gold Medal, por suas várias pesquisas no campo da Física e da Química, a Davy Medal, em 1888, e a Sir Joseph Copley Medal em 19O4.

Foi nomeado Cavaleiro pela Rainha Vitória em 1897 e recebeu a Ordem do Mérito em 191O. Ocupou diversas vezes a cadeira de Presidente da Royal Society, da Chemicak Society, da Institution of Eletrical Engineers, Da British Association e da Society for Psychical Research.

Sua descoberta do novo elemento químico a que deu o nome de "Thallium", suas invenções do radiômetro, do espintariscópio e do tubo de Crookes representam apenas uma pequena parte de sua grande pesquisa. Em 1859 fundou o Chemical News, que editou, e em 1864 tornou-se redator do Quarterley Journal of Science.

Em 188O a Academia de Ciências da França lhe concedeu uma medalha de ouro e um prêmio de 3.OOO francos, em reconhecimento por seu importante trabalho. Nessa época, os fenômenos psíquicos estavam em moda na Europa e na América, desafiando as conhecidas leis da ciência e os cientistas. Crookes aceitou o desafio. Confessa o sábio que iniciou as suas investigações sobre fenômenos psíquicos pensando que tudo fosse truque. Seus colegas sustentavam o mesmo ponto de vista e ficaram satisfeitos com a atitude que ele havia tomado. Foi manifestada profunda satisfação porque a pesquisa ia ser conduzida por um homem altamente qualificado. Quase não duvidavam que aquilo que consideravam as falsas pretensões do Espiritismo fosse desmascarado. Disse um escritor da época: "se um homem como Mr. Crookes trata do assunto... em breve saberemos em que acreditar". Numa comunicação a Nature, o Dr. Balfour Stewart, mais tarde professor, elogiou a coragem e a honestidade que levou Crookes a tomar aquela resolução. O próprio Crookes assentou que era dever dos cientistas fazer tal investigação.

Durante quatro anos de experiências levadas a efeito com a médium Florence Cook e o Sr. Home foram observados os seguintes fenômenos: movimentos de corpos pesados com contato, mas sem esforço mecânico; fenômenos de percussão e outros sons da mesma natureza; movimentos de objetos pesados colocados a certa distância do médium; mesas e cadeiras elevadas do solo sem ninguém lhes tocar; elevação de corpos humanos; aparições luminosas; aparição de mãos luminosas ou visíveis à luz ordinária; formas e figuras de fantasmas; casos particulares parecendo indicar a ação de uma inteligência exterior; manifestações diversas de caráter complexo. Nessas experiências Crookes tirou 42 fotografias de Katie King (o espírito que comumente materializava-se nas reuniões).

Após exaustiva pesquisa Crookes publica o seu relatório, anexando a carta na qual pedia a Stokes, Secretário da Sociedade Real, que viesse ver as coisas com seus próprios olhos. Recusando-o, Stokes colocou-se exatamente na mesma posição daqueles cardeais que não quiseram ver as luas de Júpiter pelo telescópio de Galileu. Defrontando um fato novo, a ciência material se mostrou tão fanática quanto a teologia medieval.

Com a divulgação de suas opiniões a respeito dos fatos psíquicos, William Crookes recebeu da idiossincrasia dos pensadores contemporâneos a gargalhada do deboche, a bofetada da indiferença. Não obstante, o cientista prosseguiu com o mesmo entusiasmo, até que convocado a receber uma das mais altas homenagens da Coroa Britânica, o título nobiliárquico de "Sir", foi-lhe sugerido que abandonasse as teorias de ordem espiritista para afirmar que a sua conclusão fora o resultado de uma alucinação psicológica. A isso o eminente pesquisador contestou com altivez: "Cada dia que passa, à medida que os tempos se dobram sobre os anos, na razão direta em que se vão e são adquiridas experiências novas é maior certeza tenho a respeito da indestrutibilidade do espírito imortal, da realidade da vida após a morte e da grande fenomenologia espiritista, que nos coloca em contato com essa realidade: a vida espiritual".

Assim foi a vida de Crookes após suas pesquisas espirituais. As críticas maldosas e os elogios sinceros nunca mais estariam ausentes do seu cotidiano. Disseram ser ele apenas um velho apaixonado pela jovem Florence. Mas outros refutavam dizendo-se privilegiados por viverem em sua época e por serem ingleses.

Crookes brilha na história dos fenômenos psíquicos como o sábio que mais profundamente ousou adentrar-se no invisível através da pesquisa científica metódica, desvelando para o mundo leigo e acadêmico a existência de um outro mundo vasto e complexo, mas perfeitamente penetrável e palpável para os exploradores desarmados dos pueris preconceitos contra o mundo espiritual.

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